“Provavelmente
é verdade, de um modo geral, que na história do pensamento humano os
desenvolvimentos mais fecundos ocorrem naqueles pontos em que duas linhas de
pensamento diferentes se cruzam. Estas linhas podem ter as suas raízes em
partes bastante diferentes da cultura humana, em diferentes épocas, ambientes
culturais ou tradições religiosas: por isso, se realmente se cruzarem,
isto é, se existir uma relação entre si que permita que ocorra uma verdadeira
interacção, podemos esperar que novos e interessantes desenvolvimentos se
sigam.”
Werner
Heisenberg (1901-1976)
A história da homeopatia
começa com a procura pela definição do sintoma. Reconhecer sintomas como
parte do mecanismo de defesa e como o meio do corpo repor o seu equilíbrio
(homeostasia) é o fundamento do sistema terapêutico da homeopatia. Por
conseguinte, os primeiros homeopatas começaram pelo estudo dos sintomas.
A homeopatia distingue três categorias de
sintomas: psicológicos, gerais e físicos. Dentro deste contexto
desenvolveram-se diferentes formas de tratar os sintomas de um
indivíduo. A escola de pensamento de Kent definiu os sintomas na ordem
hierárquica que se segue: Mentais/emocionais – Gerais – Físicos, enquanto
a hierarquia de Boenninghausen é definida como Gerais – Mentais/emocionais –
Físicos e a de Boger como Gerais – Físicos – Mentais/emocionais.
A homeopatia é praticada com base nesta metodologia há muitas décadas,
sobretudo no contexto da patologia e da medicina geral. Durante este
tempo, realizou-se um grande número de ensaios de medicamentos homeopáticos, e
obteve-se bastante informação sobre novos medicamentos, ainda que sobretudo
relativamente a sintomas físicos e gerais. Apesar dos esforços dos
homeopatas, o conhecimento sobre a maioria dos medicamentos é limitado. Contudo,
existe um manancial de informações sobre vários medicamentos polivalentes, e
até há pouco tempo os homeopatas baseavam a sua prática homeopata nestas
informações.
Contudo, nos últimos anos
ocorreu uma verdadeira revolução no campo da homeopatia. Terapeutas cuja
principal actividade era a psicanálise começaram a interessar-se pela
homeopatia. A teoria de que os sonhos fornecem um acesso directo ao
inconsciente conduziu os ensaios para novas direcções Actualmente, o
estudo dos sonhos é um procedimento fundamental nos ensaios. Desta forma,
recolhe-se uma grande quantidade de informações sobre o carácter dos
medicamentos.
Várias equipas de todo o
mundo começaram a estudar a homeopatia de outra perspectiva. Uma das mais
conhecidas é a de Rajan Sankaran, que introduziu uma nova abordagem ao estudo
do sintoma psicológico do delírio, um sintoma que consta no repertório de todos
os homeopatas. Ele acreditava que os delírios não são exclusivos dos
esquizofrénicos, mas sim que cada um de nós tem uma ilusão pessoal da
realidade: cada um de nós apreende a
realidade a partir do seu próprio ponto de vista.
Segundo esta abordagem, o terapeuta procura descobrir
a forma particular como cada doente apreende a realidade. Ao recolher o
historial do doente, o terapeuta não se limita a registar os sintomas do
doente, procura a forma distinta e subjacente como este ou esta vive a
realidade. O método de ensino da matéria médica de Sankaran é coerente com
estes princípios. Descreve os medicamentos em termos de formas diferentes
de apreender a realidade.
O meu estudo com Rajan Sankaran bem como a minha especialização em
psiquiatria ajudaram-me a adoptar esta perspectiva, pelo que mudei a forma como
registava o historial dos doentes. Em vez de simplesmente registar os
sintomas, tentei ir mais além na investigação ao examinar a relação do doente
consigo próprio e com o ambiente.
Para esta nova metodologia
usei o termo “Homeopatia Cognitiva”. Segundo a homeopatia
cognitiva, cada indivíduo tem a sua própria hierarquia de ideais/valores na
vida. Por exemplo, há quem dê prioridade ao dinheiro, outros à família,
amor, relações, fama, aspirações etc.
As várias distorções de
ideias de um indivíduo (delírios) formam-se consoante o ambiente. Por
exemplo, há quem acredite que não é correspondido numa relação amorosa, outros
que não são apreciados pelos seus amigos, ou que serão abandonados pela
família, que serão maltratados etc.
Esta abordagem trouxe
mudanças radicais ao meu exercício diário da homeopatia porque o meu principal objectivo passou a ser compreender cada
doente individual em vez de simplesmente os classificar segundo os medicamentos
polivalentes existentes. Havia muitos casos de doentes que não podiam
ser categorizados numa classe conhecida de medicamentos, e para os quais era
óbvio que um medicamento que tivesse em consideração o seu sistema de crenças
específico seria muito mais adequado.
Pouco a pouco comecei a ganhar um conhecimento aprofundado de um número
cada vez maior de medicamentos e da sua essência. A parte mais importante do
meu trabalho consistiu no estudo da tabela periódica de elementos. O uso do
pensamento sintético levou-me a criar vários sais triplos, compostos de
coordenação que contêm três elementos químicos na sua composição, com a
excepção do hidrogénio e do oxigénio.
Nesta fase, foi muito
importante a ajuda dos farmacêuticos Ioannis Efstathiou, um homem com
reconhecimento internacional no campo da medicina alternativa (homeopatia,
fitoterapia etc.), e a sua filha Christiana Efstathiou. Eles encarregaram-se da
tarefa de preparar centenas de novos medicamentos homeopáticos. Os mais
importantes são novos compostos de coordenação feitos a partir de três
elementos químicos, para além do hidrogénio e do oxigénio. Estes compostos receberam
o nome de sais triplos.
Estes novos medicamentos
produziram resultados espectaculares. O
principal motivo foi a individualização precisa do doente, e consequentemente a
inclusão mais abrangente dos sintomas. Por conseguinte, doentes que
anteriormente apenas exibiam pequenas melhorias após anos de tratamento
homeopático, começaram a apresentar resultados notáveis após a administração de
um triplo sal novo. O reconhecimento
académico surgiu pouco depois quando em Novembro de 2000 a Academia Russa de
Ciências me atribuiu o prémio Pavlov pelas aplicações clínicas dos novos
medicamentos.