Home arrow Portuguese arrow HOMEOPATIA COGNITIVA
HOMEOPATIA COGNITIVA - Informações gerais Print E-mail

 Dr. Georgios Loukas
www.georgeloukas.info 

HOMEOPATIA COGNITIVA

Uma nova combinação de homeopatia e psicologia

 Provavelmente é verdade, de um modo geral, que na história do pensamento humano os desenvolvimentos mais fecundos ocorrem naqueles pontos em que duas linhas de pensamento diferentes se cruzam. Estas linhas podem ter as suas raízes em partes bastante diferentes da cultura humana, em diferentes épocas, ambientes culturais ou tradições religiosas: por isso, se realmente se cruzarem, isto é, se existir uma relação entre si que permita que ocorra uma verdadeira interacção, podemos esperar que novos e interessantes desenvolvimentos se sigam.”

Werner Heisenberg (1901-1976)

A história da homeopatia começa com a procura pela definição do sintoma. Reconhecer sintomas como parte do mecanismo de defesa e como o meio do corpo repor o seu equilíbrio (homeostasia) é o fundamento do sistema terapêutico da homeopatia. Por conseguinte, os primeiros homeopatas começaram pelo estudo dos sintomas.

A homeopatia distingue três categorias de sintomas: psicológicos, gerais e físicos. Dentro deste contexto desenvolveram-se diferentes formas de tratar os sintomas de um indivíduo. A escola de pensamento de Kent definiu os sintomas na ordem hierárquica que se segue: Mentais/emocionais – Gerais – Físicos, enquanto a hierarquia de Boenninghausen é definida como Gerais – Mentais/emocionais – Físicos e a de Boger como Gerais – Físicos – Mentais/emocionais.

A homeopatia é praticada com base nesta metodologia há muitas décadas, sobretudo no contexto da patologia e da medicina geral. Durante este tempo, realizou-se um grande número de ensaios de medicamentos homeopáticos, e obteve-se bastante informação sobre novos medicamentos, ainda que sobretudo relativamente a sintomas físicos e gerais. Apesar dos esforços dos homeopatas, o conhecimento sobre a maioria dos medicamentos é limitado. Contudo, existe um manancial de informações sobre vários medicamentos polivalentes, e até há pouco tempo os homeopatas baseavam a sua prática homeopata nestas informações.

Contudo, nos últimos anos ocorreu uma verdadeira revolução no campo da homeopatia. Terapeutas cuja principal actividade era a psicanálise começaram a interessar-se pela homeopatia. A teoria de que os sonhos fornecem um acesso directo ao inconsciente conduziu os ensaios para novas direcções Actualmente, o estudo dos sonhos é um procedimento fundamental nos ensaios. Desta forma, recolhe-se uma grande quantidade de informações sobre o carácter dos medicamentos.

 Várias equipas de todo o mundo começaram a estudar a homeopatia de outra perspectiva. Uma das mais conhecidas é a de Rajan Sankaran, que introduziu uma nova abordagem ao estudo do sintoma psicológico do delírio, um sintoma que consta no repertório de todos os homeopatas. Ele acreditava que os delírios não são exclusivos dos esquizofrénicos, mas sim que cada um de nós tem uma ilusão pessoal da realidade: cada um de nós apreende a realidade a partir do seu próprio ponto de vista.

 Segundo esta abordagem, o terapeuta procura descobrir a forma particular como cada doente apreende a realidade. Ao recolher o historial do doente, o terapeuta não se limita a registar os sintomas do doente, procura a forma distinta e subjacente como este ou esta vive a realidade. O método de ensino da matéria médica de Sankaran é coerente com estes princípios. Descreve os medicamentos em termos de formas diferentes de apreender a realidade. 

O meu estudo com Rajan Sankaran bem como a minha especialização em psiquiatria ajudaram-me a adoptar esta perspectiva, pelo que mudei a forma como registava o historial dos doentes. Em vez de simplesmente registar os sintomas, tentei ir mais além na investigação ao examinar a relação do doente consigo próprio e com o ambiente.

Para esta nova metodologia usei o termo “Homeopatia Cognitiva”. Segundo a homeopatia cognitiva, cada indivíduo tem a sua própria hierarquia de ideais/valores na vida. Por exemplo, há quem dê prioridade ao dinheiro, outros à família, amor, relações, fama, aspirações etc.

As várias distorções de ideias de um indivíduo (delírios) formam-se consoante o ambiente. Por exemplo, há quem acredite que não é correspondido numa relação amorosa, outros que não são apreciados pelos seus amigos, ou que serão abandonados pela família, que serão maltratados etc.

Esta abordagem trouxe mudanças radicais ao meu exercício diário da homeopatia porque o meu principal objectivo passou a ser compreender cada doente individual em vez de simplesmente os classificar segundo os medicamentos polivalentes existentes. Havia muitos casos de doentes que não podiam ser categorizados numa classe conhecida de medicamentos, e para os quais era óbvio que um medicamento que tivesse em consideração o seu sistema de crenças específico seria muito mais adequado.

Pouco a pouco comecei a ganhar um conhecimento aprofundado de um número cada vez maior de medicamentos e da sua essência. A parte mais importante do meu trabalho consistiu no estudo da tabela periódica de elementos. O uso do pensamento sintético levou-me a criar vários sais triplos, compostos de coordenação que contêm três elementos químicos na sua composição, com a excepção do hidrogénio e do oxigénio.

Nesta fase, foi muito importante a ajuda dos farmacêuticos Ioannis Efstathiou, um homem com reconhecimento internacional no campo da medicina alternativa (homeopatia, fitoterapia etc.), e a sua filha Christiana Efstathiou. Eles encarregaram-se da tarefa de preparar centenas de novos medicamentos homeopáticos. Os mais importantes são novos compostos de coordenação feitos a partir de três elementos químicos, para além do hidrogénio e do oxigénio. Estes compostos receberam o nome de sais triplos.

Estes novos medicamentos produziram resultados espectaculares. O principal motivo foi a individualização precisa do doente, e consequentemente a inclusão mais abrangente dos sintomas. Por conseguinte, doentes que anteriormente apenas exibiam pequenas melhorias após anos de tratamento homeopático, começaram a apresentar resultados notáveis após a administração de um triplo sal novo. O reconhecimento académico surgiu pouco depois quando em Novembro de 2000 a Academia Russa de Ciências me atribuiu o prémio Pavlov pelas aplicações clínicas dos novos medicamentos.

 
© 2010 Organon2001